01/08/2013 15:52 - Atualizado em 17/05/2014 14:15

Críticas

É possível restaurar uma relação destruída pela incompreensão e falta de amor?

Essas e outras questões são discutidas no filme “Prova de fogo”, que aborda as dificuldades de um casal em manter seu casamento diante de tantos desentendimentos

Jucelene Oliveira
Jucelene Oliveira
Arte de Escrever
O filme faz uma reflexão sobre o quanto alguns relacionamentos estão em crise pela falta de diálogo (Foto: Divulgação)

A mãe conta uma linda historinha para a filha dormir. A menina pergunta à mãe a que horas o pai vai chegar e na sequência diz: "Mamãe, quando eu crescer, quero me casar com o papai. Ele é um homem maravilhoso". A mãe sorri e diz: "Realmente, seu pai é 
um homem muito bom, mas você não pode se casar com ele, porque ele já é casado comigo. Mas fique tranquila, querida. Quando você crescer, vai encontrar um homem tão especial quanto o seu pai e ele será seu marido".

Singelo, não?

Lançado em 2008, o filme “Prova de Fogo” (original Fireproof), dirigido por Alex Kendrick, trata de um tema recorrente na sociedade contemporânea: o divórcio. Um casal jovem, em crise no relacionamento, protagoniza a história que encanta, emociona, frustra, questiona, desafia e estimula casais a não desistirem tão facilmente da relação a dois – por mais difícil que ela possa ser.

Caleb Holt (Kirk Cameron) é o capitão do corpo de bombeiros, um homem muito respeitado na corporação e por sua equipe. Não mede esforços para salvar vidas e se arrisca todos os dias por pessoas desconhecidas, com quem não manterá nenhum 
relacionamento posteriormente. Em contrapartida, em sua casa, é praticamente odiado pela bela esposa, que não parece enxergar nada de glamoroso nas atitudes do marido. Ela o julga como um homem egoísta, viciado em pornografia na internet e incapaz de compreender os problemas que ela enfrenta.

O que foi um casamento feliz e apaixonado caminhou para uma indiferença agressiva e atenuante. O casal convive alguns dias por semana na confortável casa onde vivem, mas o ambiente familiar é frio diante do pouco relacionamento estabelecido. Eles não 
conseguem se entender ou se respeitar mais e a cozinha da casa se torna um campo de concentração.

Catherine Holt (Erin Bethea) é uma jovem assessora de imprensa que trabalha num hospital durante todo o dia. Lá, todos simpatizam com ela por sua postura assertiva. Esbanjando simpatia, desperta a atenção de um médico com quem trabalha. Sua 
situação com a família, no entanto, é complicada porque a mãe tem Alzheimer e já está numa condição bem debilitada. Não reconhece a filha e precisa de uma cadeira de rodas para locomoção. A filha vai visitá-la sempre que pode, mas se senti triste 
e abandonada porque a mãe se mostra incapaz de compreender suas frustrações matrimoniais. 

À noite e nos dias de folga de Caleb, o tempo ideal para o casal passar juntos, o lar se transforma num verdadeiro campo de guerra, um duelo de egos feridos. Eles discutem e mal dialogam; ela não é atenciosa e não gosta de cuidar da rotina da casa – até mesmo entregar a roupa na lavanderia pode ser um motivo potencialmente banal para uma discussão sem fim; ele não é compreensivo e também não se dispõe a ajudá-la – não pergunta sobre a mãe ou sobre sua rotina de trabalho; ela o afronta, ele perde a cabeça e se torna agressivo.

As constantes crises desencadeia o pedido de divórcio por parte de Catherine. Nesse momento, o que parecia uma situação perdida para ambos, ganha uma nova atmosfera. Ao contar ao pai sobre o ocorrido, Caleb é interpelado a se questionar se é isso mesmo que deseja. Se ainda ama a esposa a ponto de tentar recuperar o casamento de sete anos. 

O “Desafio do Amor” como é chamado consiste basicamente na realização de 40 atitudes positivas e afetivas dentro de um prazo de 40 dias, totalmente contrárias ao que o marido tem demonstrado até aquele momento. Pequenas gentilezas que mostrariam à esposa o quanto ela é especial e importante, na tentativa de restauração do relacionamento.

Caleb inicia o desafio e dia a dia realiza uma tarefa orientada no livro, sempre na expectativa de que Catherine enxergue ou reconheça seu esforço de mudança. Mas nada acontece. As boas ações do marido são interpretadas como interesseiras diante do divórcio que segue e partilha de bens. Quanto mais tenta se aproximar e demonstrar seu amor pela esposa e arrependimento pelas atitudes do passado, mais destratado é. 

Sempre que pensa em desistir é desencorajado pelo pai. Além disso, encontra apoio também num colega da corporação. Nos momentos em que desanima, o colega está sempre lá para lhe dizer: "Você salva a vida de pessoas estranhas todos os dias e não 
está disposto a salvar a relação de amor mais verdadeira que já viveu?"

Com o passar do tempo Caleb se depara com uma constatação dolorosa: o quanto o casamento foi destruído pela falta de compreensão, perdão, mudanças de atitude e de comportamento. Ao longo da jornada, enxerga que não estava dando à esposa a atenção que ela precisava e merecia. Nas próprias palavras dele no momento em que abre o coração à amada “nos últimos sete anos eu amei mais outras coisas do que você”.

Cena em que Caleb conta a Catherine sobre os erros cometidos no passado (Foto: Divulgação)

“Prova de fogo” chama à reflexão sobre o quanto alguns relacionamentos se tornam efêmeros e facilmente substituíveis pela simples falta de diálogo e não necessariamente de amor. Às vezes a chama ainda está acesa, mas sufocada por outros sentimentos de desafeto e mágoa. O “Desafio do Amor” trouxe àquele casal o companheirismo, a fidelidade, a lealdade, a compreensão e o amor adormecidos há tempos.

Contada pela ótica de um homem cristão, pastor associado à Igreja Batista Sherwood em Albany, Georgia, Alex Kendrik de 43 anos aborda o que Deus pode fazer nas relações humanas, se houver liberdade para agir. Além desse, Kendrik é responsável pela produção de mais três filmes de sucesso: Flywheel (A Virada, de 2003), Facing the Giants (Desafiando Gigantes, de 2006) e Courageous (Corajosos, de 2011), todos com temas voltados às relações humanas. Com exceção de “Prova de fogo”, nos demais 
filmes ele também é o ator principal, além de compositor da maior parte das trilhas sonoras.

Confira abaixo o trailer do filme: 

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