09/01/2014 14:09 - Atualizado em 18/07/2016 21:11

Cinema

A engenharia cênica de Marcio Meirelles

Em diálogo com múltiplas linguagens artísticas, o encenador consolida cada vez mais os elementos e estruturas de sua dramaturgia

Colaborador
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Arte de Escrever
Peça POR QUE HÉCUBA da universidade LIVRE de Teatro Vila Velha (Crédito: Marcio Meirelles)

Habituado a reunir uma série de conceitos, mídias e discursos em suas montagens, desde 1972, quando começou sua carreira, o diretor teatral Marcio Meirelles não pára de criar interlocuções com as mais variadas artes, contextos sociais e políticos. Tendo a Arquitetura e as Belas Artes na origem de sua formação, o artista ainda costuma assinar com frequência cenografia, iluminação, figurino e outros aparatos da cena. Essa prática de enveredar pelos distintos campos da engenharia cênica tem grande ligação com o extinto Avelãz y Avestruz (1976-1989), grupo do qual foi diretor e com o qual desenvolveu um trabalho de pesquisa calcado na experimentação estética.

Nessa trajetória, é fundamental falar dos mais de 20 anos de produção com o Bando de Teatro Olodum, da revitalização e reforma do Teatro Vila Velha na década de 1990 e do percurso em outras companhias residentes do Vila, como a Companhia Teatro dos Novos, que fundou o TVV em 1964. Essa sucessão de experiências coletivas, colaborativas, autônomas e cumulativas escoa de muitas maneiras em seus espetáculos.

Quem observa com mais atenção o teatro de Marcio Meirelles, logo percebe as suas marcas de direção, identifica o seu processo retroalimentar, vê as correspondências de exploração e ocupação do espaço, do tempo, da pulsação, da inserção do audiovisual e outros recursos narrativos.  

Atualmente, por meio da “universidade LIVRE de teatro vila velha”, programa de formação em artes cênicas criado em fevereiro de 2013, o encenador continua incorporando, potencializando e fruindo todas essas vivências por meio de experimentos, leituras dramáticas e investigação de autores pouco conhecidos no Brasil, como o dramaturgo romeno Matéi Visniec. A partir dessas produções e da parceria com a 28ª edição do Curso Livre de Teatro da Ufba, Meirelles começa o ano de 2014 estreando três peças: POR QUE HÉCUBA (Matéi Visniec), TROILUS E CRÉSSIDA (William Shakespeare) e FRANKENSTEIN (Mary Shelley).

O que pode haver de comum entre essas histórias? Semelhanças muitas, porém o mais interessante são as analogias e convergências criadas pelo diretor. No campo da Comunicação, por exemplo, tanto a intertextualidade quanto as conexões e citações que se dão em POR QUE HÉCUBA e TROILUS E CRÉSSIDA, espalham essas ideias pelo desenho de luz, texto, cenário, figurino, caracterização e uma profusão de elementos.

A atmosfera que se instaura a partir da musicalidade percussiva e mesmo da sonoridade de base eletrônica, geralmente executada pelos próprios intérpretes, configura um ambiente em que o público se dilui na obra, se aproximando muito dos conceitos de instalação das artes visuais. A luz entra em cena de forma muito plástica e funcional. E pensando na formação inicial do artista, é possível sentir a influência marcante da Arquitetura e das Belas Artes em seus trabalhos. Dessa forma, Meirelles constrói, a cada montagem, os pilares de sua própria “gramática”, da sua linguagem e da sua forma ímpar de se comunicar com o mundo. 

Por Que Hécuba
13 a 22/01 | seg, ter e qua | 20h
sala principal do Teatro Vila Velha | R$ 30 e 15 | censura: 14 anos

Troilus e Créssida
9 a 26/01 | qui a dom: 19h
R$ 30 e 15 | sala principal do Teatro Vila Velha

Frankenstein
pré-estreia: 01/02 | sáb | 20h
temporada: 11 a 21/02 | ter a sex | 20h
R$ 30 e 15 | sala principal do Teatro Vila Velha

Cabaré da Rrrrraça
pré-estreia: 07/02
temporada: 08 a 23/02| sáb: 20h | dom: 19h
R$ 30 e 15 | sala principal 

Informações: (71) 3083-4610 / 4611
www.teatrovilavelha.com.br

O Colaborador do Portal, Arlon Souza, é jornalista, ator, repórter, editor e produtor de televisão, com atuação em programas como Soterópolis e TVE Revista.

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